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Dentro das versões
actualmente disponíveis e que são 1100, 1400 e 1600 a gasolina e 1700
diesel e turbo diesel, a Fiat Portuguesa ainda não tinha feito a sua opção
definitiva quanta as versões a comercializar, no momento em que preparámos
este teste. A clara tendência para as versões de mais baixa cilindrada,
fez-nos optar pelo 1.4 DGT, não apenas porque julgamos tratar-se de um
modelo muito equilibrado dentro da gama Tipo, mas também porque havia o
aliciante de experimentar a nova instrumentação electrónica digital que
equipa esta versão. Uma outra razão terá sido a de sabermos que, em
Itália, é a versão mais procurada, juntamente com a turbo diesel.
A
CARROÇARIA
Para desenhar o Tipo,
o Studio Idea partiu de uma implantação mecânica muito semelhante à do
Uno, caracterizada par uma grande distância entre eixos. Com um
comprimento exterior que não chega aos 4 metros, ao contrario do que
acontece com muitos dos seus concorrentes, mas com uma habitabilidade que
está acima do que é normal nesta categoria, o Fiat Tipo teve que recorrer
à colocação das rodas em cada extremo e a um tejadilho alto e direito. A
linha exterior constitui um desenvolvimento moderno dos 2 volumes, com uma
frente em cunha, em que a grelha clássica foi substituída por duas grandes
fendas transversais que ligam os dois grupos ópticos e no meio das quais
está o logotipo Fiat de cinco barras inclinadas. Uma boa parte do ar de
refrigeração e climatização entra pelas aberturas situadas no avental
dianteiro, por baixo do pára-choques. O pára-brisas é bastante inclinado e
o tecto muito direito, acabando numa traseira truncada, quase a direito e
que constitui uma das partes mais originais do Tipo. Essa originalidade
é-lhe conferida pelo desenho e implantação dos grupos de iluminação, pela
forma do avental traseiro e, certamente, pela existência de um terceiro
vidro lateral.
Do ponto de vista
aerodinâmico, o Tipo ostenta o melhor Cx da sua categoria (0,31), o que é
um valor notável se atendermos a que
o
seu comprimento fica aquém dos 4 metros.
Os
motivos principais para este excelente coeficiente de penetração são, como
já referimos, o pára-brisas muito inclinado, o tecto direito e a traseira
truncada, mas também, o tratamento de toda a parte inferior do chassis,
que é praticamente liso. Houve uma preocupação enorme de dar continuidade
a todas as superfícies, evitando, assim, pontos de turbulência. Por isso,
pára-brisas, vidro traseiro e as duas pequenas janelas laterais traseiras
estão coladas e à superfície da carroçaria. Os pára-choques dianteiro e
traseiro integram-se completamente nos respectivos aventais. Muitas outras
argúcias poderiam ser citadas, como, por exemplo, a ausência de goteiras
do tejadilho ou a dissimulação dos limpa-vidros na zona de sombra do
capot-motor.
Mas, o Cx não é tudo
e o Tipo tem que se contentar com uma superfície frontal de 2,02 metros
quadrados, valor relativamente elevado para a categoria. A Fiat preferiu
penalizar um pouco a área frontal e, assim, o produto S.cx, muito
importante na resistência ao avanço, para obter uma habitabilidade de
elevado nível.
Uma ultima palavra,
neste capitulo, sabre o tratamento da carroçaria. A Fiat preferiu, ainda
aqui, não fazer grandes concessões e dotar o seu novo modelo de uma
estrutura rígida e resistente à corrosão, mesmo que isso tivesse implicado
um aumento no peso. Cerca de 70% da estrutura é zincada nos dois lados da
chapa e alguns elementos são mesmo fabricados em material sintético, a
base de poliéster termo-endurecido, como é o caso da quinta porta
traseira, da tampa do bocal de gasolina e do próprio depósito de gasolina.
O INTERIOR
Uma das
características mais evidentes e importantes do Tipo é a sua excepcional
habitabilidade, tanto à frente como atrás. A largura medida aos cotovelos
é de 1,47 metros, ou seja 10 a 15 cm superior aos seus rivais mais
directos. O comprimento do habitáculo, é de
1,64m e a distância entre o pedal do acelerador e as costas do banco
traseiro (outra forma de medir o comprimento do habitáculo) é de 1,8 m,
ambos os valores de elevado nível. Também a acessibilidade é muito boa,
pois as portas abrem num ângulo de 80 graus. Os bancos dianteiros estão
relativamente bem desenhados, embora lhes falte um pouco de apoio lateral.
Pena que os apoios de cabeça não sejam reguláveis. A posição mais correcta
de condução é muito fácil de atingir,
dada a multiplicidade de regulações do banco. Alem da regulação contínua
das costas, nesta versão Digit era possível variar a altura do assento,
assim como, a inclinação do volante. Os principais comandos estão,
genericamente, bem sistematizados e acessíveis ao condutor, com uma ou
duas excepções, como é o caso do interruptor das luzes de emergência,
colocado par detrás do volante.
A
maior parte dos comandos está agrupada nas duas alavancas colocadas de
cada lado da coluna de direcção: na da esquerda estão os comandos de todos
os sistemas de iluminação e na direita, os relacionados com limpa e
lava-vidros, desembaciadores, etc.
O
tablier do Digit assume um desenho muito específico, dada a presença da
instrumentação digital e gráfica, realizada de uma forma global. É a
primeira vez que um automóvel europeu incorpora uma instrumentação deste
tipo, pensada desde o inicio como primeiro equipamento e abdicando do
clássico painel de instrumentos. Talvez por isso mesmo nos tenha agradado.
O acabamento interior está dentro dos padrões a que a Fiat nos habituou
nos seus produtos mais recentes: utilização intensiva do plástico, num
conjunto discreto, mas não muito entusiasmante. A visibilidade é muito boa
em todas as direcções, quer em marcha, quer nas manobras de cidade, mas há
um aspecto muito criticável: em caso de chuva, o vidro traseiro suja-se
com uma facilidade desconcertante (escoamento deficiente?),
obrigando
a um uso intensivo do limpa-vidros. A climatização do Tipo está muito bem
realizada, notando-se,
porem, a ausência de um sistema de recirculação do ar. O comando é feito
por três botões colocados na consola central: um para o ventilador de 4
velocidades, outro para a regulação da temperatura do ar e um terceiro
para a distribuição do ar, que pode ser feita com ar quente ou frio para
todas as saídas ou ainda pelo sistema conhecido par «bi-level», isto é, ar
mais quente para os pés e mais fresco para a cabeça, com uma diferença de
temperatura da ordem dos 7 a 8 graus. Por último, uma referência ao
porta-bagagem, de boa capacidade e fácil arrumação. A roda sobressalente,
com um pneu de emergência 135/80-14, está colocada por baixo da plataforma
de bagagens.
COMPORTAMENTO EM ESTRADA
Com um motor
razoavelmente potente para a cilindrada, uma subida em regime regular e
progressiva, um binário bom e, sobretudo, obtido a muito baixa rotação
(2900 rpm) e ainda uma notável elasticidade dinâmica, o Fiat Tipo estaria,
à partida, em excelentes condições para nos oferecer «performances de
muito bom nível. A realidade, porem, não é esta e o modelo surge-nos algo
penalizado pelo peso e pelo escalonamento da transmissão. As acelerações
são as mais prejudicadas, com um 0 a 100 km/h em 13,1 s, quando muitos dos
seus concorrentes apresentam tempos da ordem dos 11 ou 12 s e até menos.
As «reprises já não são tão prejudicadas, sobretudo em 4a velocidade, dada
a já referida elasticidade do motor. Também a velocidade máxima de 165
km/h é adequada para a categoria.
O
comportamento global em estrada é muito bom, dando prazer conduzir este
carro, desde que se desfrute bem do regime do motor e da caixa. A
aderência é excelente, tanto em seco, como em molhado,
mas neste caso há que ter em atenção a entrada em curva a uma velocidade
já interessante. Como tracção a frente, o Tipo é sub-virante, mas não em
excesso e a nova geometria da suspensão dianteira dá uma sensação de
leveza à entrada da curva, que pode surpreender em piso húmido ou molhado.
Mas as reacções do Tipo são muito sãs e a correcção faz-se com toda a
facilidade. A suspensão revelou-se muito correcta, com um amortecimento a
favorecer o conforto, embora com um rolamento em curva mais acentuado do
que é habitual nos modelos italianos.
A
transmissão, já o dissemos, é um pouco longa, sobretudo em 5a, mas tem
como vantagens (e, por isso, a Fiat a escolheu), um melhor consumo e um
silêncio de marcha notável, já que é possível viajar a 140 km/h com o
motor a 4000 rpm. A maneabilidade da caixa é agora muito boa, nesta nova
versão, o mesmo acontecendo com a precisão de engate. O único aspecto
ainda a melhorar refere-se à engrenagem da marcha-atrás, por vezes um
pouco renitente a entrar.
Os
travões são potentes e progressivos, com um esforço no pedal moderado, mas
acusam uma ligeira fadiga quando solicitados intensamente. A direcção
revelou-se leve e precisa em marcha, com um bom amortecimento, mas uma
reacção e um retorno um pouco lentos. Nas manobras de cidade é um pouco
mais pesada. Quanto ao consumo, é de esperar um modelo económico e neste
aspecto não temos criticas a fazer ao Fiat Tipo. Os valores obtidos a
velocidade constante são disso a prova, mas o mais importante é o consumo
em condições reais de utilização. Podemos dar um exemplo: num trajecto de
550 km, com 300 km de auto-estrada (Milão-Bolonha-Florença) percorridos a
uma media geral de 132 km/h e 250 km de estrada comum na zona de Pisa, mas
com um troço bastante sinuoso em torno de Montecatini, o consumo médio foi
de 7,05 litros/100 km.
Com tudo isto, o Fiat
Tipo é um carro moderno, feito à medida do consumidor europeu e que vale,
sobretudo, pela homogeneidade das suas características.
 
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