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Apesar destes dois modelos
não estarem rigorosamente inseridos na mesma categoria, isto porque o Fiat
se pode considerar um «familiar» desportivo e o Honda é um puro
desportivo, pensamos que as suas motorizações e as suas «performances» são
bastante próximas.
AS CARROÇARIAS
A primeira grande
diferença que existe entre ambos, é o facto de o número de portas de cada
um ser distinto, quatro para o TIPO e duas para o Civic. Dependendo das
necessidades de cada um a escolha da melhor opção. No plano estético a
nossa preferência vai para o modelo japonês, que, a partir de agora,
apresenta ligeiras alterações na sua zona frontal, em relação a versão de
89, nomeadamente, no desenho do pára-choques e dos farolins. O conjunto obtido é
extremamente elegante e também bastante eficiente do ponto de vista
aerodinâmico. De facto, o Civic, com um Cx de 0,33 e uma superfície
frontal de 1,79 m, supera o modelo italiano por escassa margem. Este,
apesar do seu melhor valor de Cx, 0,31, é penalizado pela sua maior
superfície frontal.
Como seria lícito esperar, o Fiat apresenta um
porta-bagagens bastante maior que o Honda. Os volumes reais, variam entre
os 224 litros para o melhor e 152 litros para o segundo, denotando a
vocação «familiar» do modelo italiano. Em ambos os casos é possível
rebater o banco traseiro, se bem que o TIPO possibilite este rebaixamento
de forma assimétrica e assim garanta uma maior versatilidade. Ainda no que
se refere às carroçarias, destaque para a excelente qualidade de
construção do modelo nipónico, que neste campo ganha alguns «pontos» ao
novo TIPO.
DENTRO DO HABITÁCULO
Se
em termos exteriores a nossa balança pende para o lado do Civic, neste
campo o TIPO dá «cartas». O acesso aos seus lugares é muito fácil, não só
devido à boa altura das suas portas, como também ao grande ângulo de
abertura das mesmas. O espaço proporcionado, tanto à frente como atrás, é
óptimo, permitindo
transportar cinco adultos sem
algum problema. No caso do carro que testámos, os bancos eram da «Recaro»
- uma das opções previstas - e encontram-se divididos, na traseira, em 3
partes. Se neste carro o espaço abunda, o mesmo não
se poderá dizer do Civic. O acesso aos lugares traseiros é, obviamente,
mais complicado e mesmo à frente, em virtude da baixa posição do volante
em relação ao banco, esta manobra não é a mais cómoda. Se neste ponto o
Honda não é o melhor, o mesmo não se poderá dizer da qualidade dos seus
acabamentos. Todos estes são de muito bom nível, bem como os materiais
empregues, sendo bastante superiores aos do TIPO 16v.
O Fiat, como é norma na
marca, possui uma posição de condução muito alta, ao que a Honda replica
com uma posição extremamente baixa. Apesar disso, é fácil encontrar uma
boa posição em qualquer dos dois, devido à possibilidade de regulação do
volante em altura. No caso do carro italiano, é ainda posta à disposição
do condutor a regulação da altura do banco, sendo de estranhar que em
nenhum dos dois se possa controlar o apoio lombar dos assentos. Mesmo sem
este dispositivo, podemos considerar os bancos destes dois modelos
bastante bem conseguidos.
O TIPO possui um
equipamento e uma instrumentação mais completa que o Honda, sendo de
destacar o facto de possuir, a nível de instrumentos, um «check-control» e
um manómetro de pressão de óleo. Toda esta instrumentação é analógica,
bastante mais visível a digital que equipa o DGT. Em termos de
equipamento, se excluirmos o facto de o Civic estar munido de um tecto de
abrir eléctrico e ar condicionado, mais uma vez o TIPO leva a melhor. Está
equipado com o sistema ABS de travagem, faróis de nevoeiro, jantes de liga
leve, fecho centralizado de portas e direcção assistida.
NA ESTRADA
Sendo
dois modelos de motorizações muito semelhantes, em termos de potência, o
mesmo não acontece com a sua cilindrada. O Civic apresenta um motor de
1590 c.c., que debita 130 CV as 6800 rpm, contra os 138 CV as 6250 rpm
conseguidos dos 1756 c.c. do TIPO. Apesar de, já aqui, existirem
diferenças, elas não são as mais importantes em termos de «performances».
A que nós
consideramos mais significativa, prende-se com o facto do TIPO, com os
seus cerca de 1100 kgs, pesar mais 180 kgs que o modelo nipónico. Isto
reflecte-se na relação peso/potência, sendo esta, para o Fiat, de 8 kg/CV
e para o Civic de 7 kg/Cv.
Apesar desta desvantagem, o carro italiano é muito
rápido no arranque - com um maravilhoso «cantar» de motor - tendo coberto
os 1000 metros exactamente no mesmo espaço de tempo que o Civic. Só nos
0-100 km/h o TIPO foi batido e por escassos 3/10 de segundo. Em relação às
«reprises», a «história» é outra. O Civic, graças a um motor extremamente
«elástico», supera largamente o TIPO - que abaixo das 3500 / 4000 rpm tem
pouca «saída» - estabelecendo diferenças da ordem dos 2,5 seg., nos 40-120
km/h. Isto apesar de o modelo transalpino possuir uma caixa de velocidades
muito bem escalonada, com uma 5ª bastante curta, e estas «reprises» serem
efectuadas nessa velocidade. O Honda, apesar da sua 4ª e 5ª velocidades
algo longas, obteve valores muito bons. Ainda no que se refere às caixas
de velocidades, destaque-se a precisão da do TIPO.
Em termos de
comportamento, pode-se dizer que ambos são bastante bons, com o TIPO a
privilegiar mais o conforto e, consequentemente, a adoptar umas suspensões
mais macias. Apesar disso, revelaram uma boa eficácia. No caso do Honda,
as suas suspensões mais rijas, embora beneficiem a «performance»,
tornam-se um pouco desconfortáveis em mau piso. Em relação ao primeiro,
achamos por bem destacar a sua excelente direcção assistida, muito precisa
e com o «peso» certo, o mesmo não acontecendo com o Civic, que possui uma
desmultiplicação um pouco exagerada. Tal facto vem a reflectir-se
negativamente quando o conduzimos em percursos muito sinuosos. No que
concerne a travagem, estes modelos são bastante equilibrados, com o Fiat
(com sistema ABS) a conseguir uma distancia de imobilização algo menor,
mas revelando uma precisão inferior ao Honda.
Para finalizar, refira-se
que o preço estimado para o novo modelo de Turim ronda os 4000 / 4500
contos, devido às regras fiscais, o que o torna bastante mais caro que o
Honda Civic. A escolha é sua... |