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FIAT TIPO 1.4 DGT |
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O Fiat TIPO é, sem duvida, uma das novidades mais proeminentes apresentadas no mercado europeu durante o ano que passou. A marca italiana não escondeu o orgulho ao revelar a sua criação mais recente, aquela que foi, ao mesmo tempo, o último grande projecto do «mago» Vittorio Ghidella. A ele já se tinha devido o enorme sucesso do Uno, que continua a vender-se como poucos. E, com o TIPO, o sucesso parece repetir-se. Pelo menos em Itália, as vendas têm atingido níveis tais que já obrigaram a fabrica a aumentar a cadência de produção e os responsáveis pelo marketing a reverem os planos de exportação.
O
TIPO marca uma viragem na filosofia da marca de Turim. Anunciada desde o
primeiro minuto, essa nova filosofia criou um carro quase totalmente
construído por «robots» em que a primeira intenção foi alcançar o maior
nível de qualidade possível. E também os mais baixos custos de produção. Por fora, o TIPO é atraente, por dentro e espaçoso, mas... não é, como se torna evidente para quem o conduz, o carro perfeito. E a realidade mostra que ele divide frequentemente opiniões. Senão veja-se a vitória que o júri do «Carro do Ano» internacional lhe entregou e o modesto quinto lugar que obteve na votação do «Volante de Cristal» em Portugal.
INTERIOR ESPAÇOSO. Poucas pessoas ficarão indiferentes à estética inovadora e personalizada do Fiat TIPO. A carroçaria, corpulenta e muito arredondada, foi concebida para proporcionar uma habitabilidade máxima e exibe na traseira as suas soluções mais arrojadas: grupos ópticos de grandes dimensões, perfil quase vertical com porta de mala envolvente e pequenas janelas laterais fixas. Na frente, as linhas não saem muito fora do estilo que a Fiat se tem esforçado por seguir com os modelos mais recentes. Nota-se, contudo, uma linha mais afilada, bem patente nos faróis mais estreitos, enquanto a grelha se mostra muito parecida às que são montadas nos restantes modelos. Uma questão de homogeneidade, aliás seguida por muitas outras marcas hoje em dia. continua > Ficha técnica
O Fiat TIPO 1.4 DGT e os rivais
Consumo
Resumo do Ensaio
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O painel digital dá um toque de vanguarda à versão DGT, mas a leitura dos instrumentos torna-se difícil quando bate o sol. O equipamento de série inclui «check-control» electrónico, tecto de abrir, vidros eléctricos, tranca central, luz de leitura orientável, etc. |
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Isso poderá levar muita gente a considerar o TIPO como um Uno, maior e mais arredondado. Todavia, ele é diferente e consegue distinguir-se por uma linha de cintura baixa, por uma acentuada inclinação do pára-brisas e por pára-choques envolventes de grandes dimensões. Tudo isto contribui, também, para que o coeficiente de penetração no ar seja de 0,31 Cx, valor notável na sua classe. Por dentro, o TIPO bate todos os recordes do seu segmento ao oferecer um habitáculo extremamente espaçoso, não só em comprimento, graças a grande distância entre eixos, como em largura. Diga-se em abono da verdade que as cotas de largura são obtidas à custa de portas muito finas... Seja como for, até o banco de trás define no seu desenho um lugar para um terceiro passageiro, o que traduz bem o espaço disponível. Para proporcionar uma grande facilidade de acesso ao interior, os técnicos previram a abertura das portas até um ângulo de praticamente 80 graus. Mas isso implica que, uma vez sentados, os passageiros tenham que se «esticar» para poder alcançar o manípulo e puxar as portas. Os bancos poderiam ter um desenho um pouco mais envolvente, não só nas costas como nos assentos. Este facto torna a condução algo desconfortável, aliado ainda ao pormenor do banco do condutor estar colocado numa posição demasiado alta. Mesmo dispondo de regulação em altura, a verdade é que a opção mais baixa não evita que os condutores de maior estatura quase toquem com a cabeça no tejadilho. Do equipamento desta versão, topo de gama no nosso país, faz parte o painel de instrumentos digital, correspondendo ao dístico DGT que é exibido nos flancos junto às rodas dianteiras. Este painel, juntamente com vidros eléctricos e fechadura centralizada das portas, confere ao TIPO uma imagem de vanguarda, mas esta um pouco longe de ser prático. Na verdade, pelo seu desenho, quer o conta-rotações, quer os indicadores de combustível e temperatura da água do motor são de difícil leitura, para já não dizer nada inteligíveis quando lhes bate o sol. O «tablier», esse sim é atraente e diferente do que se costuma ver, muito embora não tão envolvente como se desejaria.
SÓLIDO E... PESADO. Apesar dos pormenores que já referimos, o ambiente que se vive dentro do TIPO é agradável, devido sobretudo ao tacto que os tecidos e restantes materiais proporcionam. Uma vez sentado o condutor encontra o volante a uma altura correcta e a maior parte dos comandos situados nas alavancas da coluna e direcção, desde o do desembaciador do óculo ao da luz de nevoeiro. Contrariamente ao que seria de super, isso não implica um tempo demasiado tango de habituação, graças a escolhas inteligentes par parte dos engenheiros. O primeiro sinal que se revela ao arrancar é o do peso elevado do TIPO. Na verdade, quando em manobra e até a velocidades mais elevadas, a direcção é demasiado pesada. Da mesma maneira, os quase 1000 quilos do conjunto fazem-se notar nas respostas à pressão no acelerador, o carro é, na realidade, «pachorrento» e os 72 cavalos do velho motor (deriva do Ritmo) não chegam para se obter uma vivacidade aceitável para muitos. No entanto, não está em causa a elasticidade, já que este ponto de que os motores italianos se honram não foi excluído. Como não podia deixar de ser, o consumo também é penalizado, já que se torna necessário carregar mais no acelerador para que o carro entregue o que se espera dele. Apesar de não se poder dizer que o consumo é desmedido, o certo é que são atingidos valores acima do que é habitual nos carros da mesma classe. Sem qualquer referência negativa, a suspensão absorve notavelmente todas as saliências do piso, ao mesmo tempo que incute grande confiança no condutor mesmo em curvas negociadas a velocidades elevadas. Os travões, do mesmo modo, revelam-se eficientes, embora não resistam indefinidamente ao cansaço. Por outro lado, a contrapor-se ao conforto da suspensão, está a insonorização do habitáculo. Apesar de não ser verdadeiramente incomodativo, o ruído do motor faz-se ouvir claramente dentro do carro e nem tão pouco como isso nas rotações elevadas. O Fiat TIPO é sem dúvida um automóvel de linhas modernas e arrojadas, espaçoso e confortável. Mas só poderá corresponder à imagem de qualidade e tecnologia avançada que a marca procurou imprimir-lhe desde a primeira hora se alguns aspectos forem revistos e melhorados. |
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