ARTIGOS DA IMPRENSA MUNDIAL

ACP (1989) por M. T.

 

 

FIAT TIPO 1.4 DGT
Poucos modelos, antes do TIPO, se podem gabar de ter sido aguardados com tanto interesse e curiosidade. Tal como já acontecera com o Uno, a Fiat conseguiu construir um clima de grande expectativa em relação ao lançamento do novo modelo. Criaram-se certezas e ilusões. E, quando o TIPO finalmente saiu, as opiniões dividiram-se imediatamente. De tal modo que hoje parece só haver... «amigos e inimigos» do TIPO.

 
 

O Fiat TIPO é, sem duvida, uma das novidades mais proeminentes apresentadas no mercado europeu durante o ano que passou. A marca italiana não escondeu o orgulho ao revelar a sua criação mais recente, aquela que foi, ao mesmo tempo, o último grande projecto do «mago» Vittorio Ghidella. A ele já se tinha devido o enorme sucesso do Uno, que continua a vender-se como poucos. E, com o TIPO, o sucesso parece repetir-se. Pelo menos em Itália, as vendas têm atingido níveis tais que já obrigaram a fabrica a aumentar a cadência de produção e os responsáveis pelo marketing a reverem os planos de exportação.

O TIPO marca uma viragem na filosofia da marca de Turim. Anunciada desde o primeiro minuto, essa nova filosofia criou um carro quase totalmente construído por «robots» em que a primeira intenção foi alcançar o maior nível de qualidade possível. E também os mais baixos custos de produção.

Por fora, o TIPO é atraente, por dentro e espaçoso, mas... não é, como se torna evidente para quem o conduz, o carro perfeito. E a realidade mostra que ele divide frequentemente opiniões. Senão veja-se a vitória que o júri do «Carro do Ano» internacional lhe entregou e o modesto quinto lugar que obteve na votação do «Volante de Cristal» em Portugal.


À frente, as linhas do TIPO seguem princípios já estabelecidos noutros modelos da marca. As soluções mais arrojadas encontram-se na traseira, de perfil quase vertical com grupo ópticos avantajados

 

INTERIOR ESPAÇOSO. Poucas pessoas ficarão indiferentes à estética inovadora e personalizada do Fiat TIPO. A carroçaria, corpulenta e muito arredondada, foi concebida para proporcionar uma habitabilidade máxima e exibe na traseira as suas soluções mais arrojadas: grupos ópticos de grandes dimensões,

perfil quase vertical com porta de mala envolvente e pequenas janelas laterais fixas.

Na frente, as linhas não saem muito fora do estilo que a Fiat se tem esforçado por seguir com os modelos mais recentes. Nota-se, contudo, uma linha mais afilada, bem patente nos faróis mais estreitos, enquanto a grelha se mostra muito parecida às que são montadas nos restantes modelos. Uma questão de homogeneidade, aliás seguida por muitas outras marcas hoje em dia. continua >

Ficha técnica

Motor:

Tipo e colocação: 4 cilindros em linha, dianteiro transversal; Cilindrada: 1372 cc; Diâmetro x Curso: 80,5 x 67,4 mm; Relação de compressão: 9,2:1; Potência máxima: 72 cv às 6ooo rpm; Binário máximo: 11 kgm às 2900 rpm; Distribuição: um veio de excêntricos à cabeça accionado por correia dentada, 8 válvulas; Alimentação: um carburador de corpo duplo Weber, com corte em desaceleração; Ignição: electrónica sem contactos.

Transmissão:

Modo: às rodas dianteiras; Caixa: manual, 5 velocidades + MA; Relações de transmissão: 1.ª-3,909, 2.ª-2,267, 3.ª-1,440, 4.ª-1,029, 5.ª-0,827,
MA-3,909; Velocidade a 1000 rpm em 5.ª: 33,2 km/h. Embraiagem: monodisco a seco, comando por cabo.

Suspensão:

Dianteira: rodas independentes tipo McPherson com braços inferiores oscilantes, grupos mola/amortecedor descentrados, barra estabilizadora. Traseira: rodas independentes TIPO McPherson com braços longitudinais, molas helicoidais e amortecedores telescópicos, barra estabilizadora.

Travões:

Discos à frente (240 mm), tambores atrás (180 mm); duplo circuito em diagonal, servo-freio.

Direcção:

Tipo: pinhão e cremalheira, Diâmetro de viragem (entre passeios): 10,3 m; n.º de voltas ao volante: 3,5.

Pesos e
Dimensões:

Peso: 965 kg; Distribuição FR/TR: 569/396 kg (59/41%); Carroçaria: Comp. 3,958 m, larg. 1,700 m, alt. 1,445 m; Vias FR/TR: 1,429/1,415m; Depósito de combustível: 55 litros; Pneus: 165/70 R 13.

 

O Fiat TIPO 1.4 DGT e os rivais

 

Fiat TIPO 1.4 DGT

Renault
19 TSE

Opel Kadett
1.3 GL/5

VW Golf 1.3

Ford Escort
1.4 Ghia

Honda Civic 1.3

Preço

1.954.800$

1.994.850$

1.889.689$

1.950.492$

1.991.250$

2.100.000$

Cilindrada (cc)

1372

1390

1297

1272

1392

1343

Potência (cv/rpm)

72/6000

80/5900

75/5900

55/5400

75/5600

75/6100

Caixa de velocidades

5

5

5

4

5

5

Travões (FR/TR)

D/T

D/T

D/T

D/T

D/T

D/T

Vel. máxima (km/h)*

161

173

170

151

167

168

0-100 km/h (seg.)*

13,0

12,2

13,0

16,7

12,7

não anunciado

Consumo (1/100) (90/120/U)*

5,2/7,1/8,5

5,1/6,6/7,9

5,0/6,5/8,9

5,5/7,3/7,9

4,9/6,4/8,1

5,1/6,8/7,5

* Os valores apresentados são fornecidos pelos construtores

 

Consumo

Percurso

Condições de tráfego

Distância percorrida

Carga

Média (km/h)

Consumo (1/100)

Estrada

Algum trânsito

182km

2 pessoas

79

6,1

Estrada

Pouco trânsito

algumas

ultrapassagens

127km

2 pessoas

104

7,8

Auto-estrada

Pouco trânsito

86km

Condutor

118

8,2

Cidade

Muito trânsito

36km

Condutor

-

11,7

 

Resumo do Ensaio

 

-

±

+

 

Estética

 

 

É inovadora, principalmente na traseira, graças ao arranjo dos grupos ópticos. As linhas, arredondadas, são ao mesmo tempo harmoniosas.

Qual. de construção

 

 

Foi feito um esforço nítido neste aspecto, embora certos plásticos não sejam da melhor qualidade.

Interior

 

 

Muito espaçoso. A harmonia foi conseguida e o desenho do tablier é atraente.

Conforto

 

 

A suspensão absorve bem as irregularidades do piso mas é pena que os bancos não tenham o desenho ideal. A insonorização é melhorável.

Comportamento

 

 

Facilmente o condutor ganha confiança a curvar com o carro. As reacções são saudáveis. Pena que a direcção seja tão pesada.

Performances

 

 

O TIPO é lento, chegando a surpreender pela dificuldade que revela para subir de regimes. Contudo, o motor é elástico.

Travões

 

 

A travagem é eficiente mas uma solicitação repetida pode fazer com que as distâncias sejam alongadas.

Consumo

 

 

Este é outro dos pontos em que os quase 1000 quilos do TIPO não poderiam deixar de influir...

 

Na Estrada

 

  Velocidade máxima

170 km/h

Aceleração:

0-100 km/h

0-1000 m

14,1 seg.

35,8 seg.

Recuperação:

80-120 km/h (4.8)

80-120 km/h (5.8)

13,9 seg.

20,2 seg.

Travagem (a quente):

100-0 km/h

140-0 km/h

53,8 metros

96,1 metros

O painel digital dá um toque de vanguarda à versão DGT, mas a leitura dos instrumentos torna-se difícil quando bate o sol. O equipamento de série inclui «check-control» electrónico, tecto de abrir, vidros eléctricos, tranca central, luz de leitura orientável, etc.

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Isso poderá levar muita gente a considerar o TIPO como um Uno, maior e mais arredondado. Todavia, ele é diferente e consegue distinguir-se por uma linha de cintura baixa, por uma acentuada inclinação do pára-brisas e por pára-choques envolventes de grandes dimensões. Tudo isto contribui, também, para que o coeficiente de penetração no ar seja de 0,31 Cx, valor notável na sua classe.

Por dentro, o TIPO bate todos os recordes do seu segmento ao oferecer um habitáculo extremamente espaçoso, não só em comprimento, graças a grande distância entre eixos, como em largura. Diga-se em abono da verdade que as cotas de largura são obtidas à custa de portas muito finas... Seja como for, até o banco de trás define no seu desenho um lugar para um terceiro passageiro, o que traduz bem o espaço disponível.

Para proporcionar uma grande facilidade de acesso ao interior, os técnicos previram a abertura das portas até um ângulo de praticamente 80 graus. Mas isso implica que, uma vez sentados, os passageiros tenham que se «esticar» para poder alcançar o manípulo e puxar as portas. Os bancos poderiam ter um desenho um pouco mais envolvente, não só nas costas como nos assentos. Este facto torna a condução algo desconfortável, aliado ainda ao pormenor do banco do condutor estar colocado numa posição demasiado alta. Mesmo dispondo de regulação em altura, a verdade é que a opção mais baixa não evita que os condutores de maior estatura quase toquem com a cabeça no tejadilho.

Do equipamento desta versão, topo de gama no nosso país, faz parte o painel de instrumentos digital, correspondendo ao dístico DGT que é exibido nos flancos junto às rodas dianteiras. Este painel, juntamente com vidros eléctricos e fechadura centralizada das portas, confere ao TIPO uma imagem de vanguarda, mas esta um pouco longe de ser prático. Na verdade, pelo seu desenho, quer o conta-rotações, quer os indicadores de combustível e temperatura da água do motor são de difícil leitura, para já não dizer nada inteligíveis quando lhes bate o sol. O «tablier», esse sim é atraente e diferente do que se costuma ver, muito embora não tão envolvente como se desejaria.

 

SÓLIDO E... PESADO. Apesar dos pormenores que já referimos, o ambiente que se vive dentro do TIPO é agradável, devido sobretudo ao tacto que os tecidos e restantes materiais proporcionam.

Uma vez sentado o condutor encontra o volante a uma altura correcta e a maior parte dos comandos situados nas alavancas da coluna e direcção, desde o do desembaciador do óculo ao da luz de nevoeiro. Contrariamente ao que seria de super, isso não implica um tempo demasiado tango de habituação, graças a escolhas inteligentes par parte dos engenheiros.

O primeiro sinal que se revela ao arrancar é o do peso elevado do TIPO. Na verdade, quando em manobra e até a velocidades mais elevadas, a direcção é demasiado pesada. Da mesma maneira, os quase 1000 quilos do conjunto fazem-se notar nas respostas à pressão no acelerador, o carro é, na realidade, «pachorrento» e os 72 cavalos do velho motor (deriva do Ritmo) não chegam para se obter uma vivacidade aceitável para muitos. No entanto, não está em causa a elasticidade, já que este ponto de que os motores italianos se honram não foi excluído.

Como não podia deixar de ser, o consumo também é penalizado, já que se torna necessário carregar mais no acelerador para que o carro entregue o que se espera dele. Apesar de não se poder dizer que o consumo é desmedido, o certo é que são atingidos valores acima do que é habitual nos carros da mesma classe.

Sem qualquer referência negativa, a suspensão absorve notavelmente todas as saliências do piso, ao mesmo tempo que incute grande confiança no condutor mesmo em curvas negociadas a velocidades elevadas. Os travões, do mesmo modo, revelam-se eficientes, embora não resistam indefinidamente ao cansaço. Por outro lado, a contrapor-se ao conforto da suspensão, está a insonorização do habitáculo. Apesar de não ser verdadeiramente incomodativo, o ruído do motor faz-se ouvir claramente dentro do carro e nem tão pouco como isso nas rotações elevadas.

O Fiat TIPO é sem dúvida um automóvel de linhas modernas e arrojadas, espaçoso e confortável. Mas só poderá corresponder à imagem de qualidade e tecnologia avançada que a marca procurou imprimir-lhe desde a primeira hora se alguns aspectos forem revistos e melhorados.

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