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O
novo TIPO não passa despercebido. Ele atrai, ele cativa, ele suscita
paixões. Ou se gosta, ou se não gosta. Ele e, afinal, um dos carros do ano
aguardados com maior expectativa.
O
novo produto da Fiat insere-se numa das faixas mais populares da Europa,
que representa cerca de 30 por cento do mercado. Como não podia deixar de
ser, os italianos quiseram atacar em força. E se o lançamento do Uno já
tinha dado que falar, o do TIPO começa a exceder as expectativas,
obrigando as fábricas de Turim ao esforço de horas extraordinárias.
A
carroçaria não consegue apagar os traços do «irmão» mais pequeno, mas as
semelhanças com o Uno ficam-se na forma ou em detalhes menores.
A
frente, mais afilada, a largura do carro e principalmente o desenho da
traseira revelam claramente um automóvel novo e diferente. Inovador mesmo,
nas quase estranhas linhas da tampa da mala e dos enormes grupos ópticos
traseiros. Sinal dos tempos que correm foi também a preocupação
manifestada ao nível da aerodinâmica, tendo os técnicos chegado ao valor
de 0,31 Cx, o valor mais baixo neste género de utilitários.
Um
dos pontos que mais atenção mereceu par parte dos engenheiros e que marca
uma viragem na filosofia da Fiat foi a qualidade de construção. Neste
aspecto, o TIPO mostra uma evolução assinalável, patente nos materiais
utilizados, sobretudo no interior. Interior este que oferece uma
habitabilidade excelente através de um enorme espaço utilizável. A largura
atinge tal proporção que o banco traseiro está desenhado para poder
transportar confortavelmente três adultos.
A
gama TIPO comercializada em Portugal compreende, de momento, apenas três
versões, infelizmente as menos potentes e as que menos valorizam o modelo.
Uma, equipada com o motor «Fire» de 1.1 litros recentemente introduzido,
encontra-se apenas disponível em Itália e Portugal. As outras duas montam
o 1.4 litros de 72 cv, havendo apenas o painel digital a diferenciá-las.
Esta é outra novidade na marca e a Fiat concebeu um painel legível e fácil
de aprender. Novos também os comandos, reunidos nas duas alavancas da
coluna de direcção, numa solução que combina a prática e a simplicidade.
A
nível mecânico, haverá a destacar a nova suspensão independente às quatro
rodas, estudada para diminuir a tendência da frente mergulhar durante as
travagens. O equilíbrio entre o conforto e o comportamento foi achado, mas
a nota mais positiva vai para este último, pois o TIPO consegue curvar com
grande segurança a altas velocidades. Não quer isto dizer que o
amortecimento seja duro, mas a suspensão não absorve com total eficiência
as irregularidades dos pisos realmente degradados – infelizmente tão
comuns entre nós.
Os
travões mostram-se eficazes e a direcção é precisa, embora transmitindo de
forma perceptível as reacções provocadas pelo piso.
A
nova caixa de velocidades surpreendeu-nos agradavelmente, mostrando que os
técnicos conseguiram finalmente eliminar os problemas que tradicionalmente
afligiam estes órgãos fabricados pela marca. Assim, o comando passou a ser
extremamente suave e leve, permitindo uma rápida passagem de velocidades.
Quanto ao escalonamento, as 4.ª e 6.ª relações são longas, talvez
exageradamente no caso da 6.ª, já que, a fundo, o motor dificilmente
consegue atingir as 6000 rpm.
Devido ao peso se situar a partir dos 905 kg (o 1.4 DGT pesa 965 kg), as
performances não são brilhantes e o 1.4, que conduzimos durante alguns
quilómetros, mostra mesmo alguma dificuldade nas recuperações de rotação
em 4.ª e 5.ª. Relativamente ao consumo, também aqui o preço da qualidade e
do peso se faz sentir. Mas não se pode dizer que os valores anunciados
pela fábrica sejam exagerados.
No
conjunto, o TIPO é um carro fácil de utilizar, apresentando inúmeros
argumentos para alcançar um retumbante sucesso também no nosso mercado. |

Principais características
Motor
1.1 -
1108 cc; 56 cv/5500 rpm; 9,1 kgm/2900 rpm; 1 carburador simples; ignição
electrónica.
1.4
- 1372 cc; 72 cv/6000 rpm; 11 kgm/2900 rpm; 1 carburador duplo com corte
de mistura; ignição electrónica.
Transmissão
Caixa de 5
velocidades + MA; tracção à frente.
Suspensão
Dianteira: Tipo McPherson, braços transversais inferiores e barra estabilizadora.
Traseira: Independente, braços longitudinais e barra estabilizadora.
Travões
Disco a frente
e tambor atrás;
duplo circuito em X.
Direcção
De pinhão e
cremalheira;
diâm. de viragem: 10,3 m.
Dimensões e peso
Comp.: 3,958 m;
Larg.: 1,700 m; Alt.: 1,445 m;
Dist. entre eixos: 2,540 m; Pesos: 905/925 (1.1) e 945/965 kg (1.4).
Performances e consumos
1.1 -
Vel. máx.: 150 km/h; 0-100 km/h: 17,2 s.; Consumos (90/120/U): 4,7/6,5/7,5
1/100
1.4 - Vel. máx.: 161 km/h; 0-100 km/h: 13,0 s.; Consumos
(90/120/U): 5,2/7,1/8,5 1/ 100
Preços
1.1 –
1.535.000$00
1.4 – 1.750.000$00
1.4 DGT – 1.950.000$00

O tablier da versão Digit, disponível unicamente na
versão 1.4 por 200 contos adicionais. De lamentar que as motorizações
escolhidas para Portugal não permitam tirar mais partido do modelo.
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