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Com o mercado único à porta e a tecnologia em evolução constante, os construtores europeus têm que actualizar constantemente as suas gamas para manterem as respectivas penetrações face a uma concorrência cada vez mais renhida e a um público cada vez mais exigente. A recente liberalização do mercado nacional veio permitir ao público português uma participação mais activa e atempada na indústria automóvel, ainda que deturpada pelas inconsistências do regime de impostos.
Das três
estreias mundiais de Janeiro, o Fiat TIPO é a mais significativa do ponto
de vista de volume e também de importância para o futuro da marca, que
conta com o êxito do novo modelo para se tornar o Nº 1 europeu. FIAT TIPO Um carro para todos Ao substituir o Ritmo pelo TIPO a Fiat não esconde os seus objectivos ambiciosos: repetir o êxito obtido pelo pequeno Uno, aumentar a sua influência fora das fronteiras italianas, captar 10% do competitivo mercado dos carros médios e, se possível ainda este ano, desalojar a Volkswagen AG do comando das vendas europeias. A aquisição da Alfa Romeo permitiu à Fiat afirmar-se como Nº 2 na Europa, mas esta posição continua a depender excessivamente do mercado italiano, onde o construtor de Turim detém mais de 60% do mercado e onde vende mais de metade da sua produção. Depende também demasiado do segmento dos carros pequenos, onde o Uno tem uma penetração de quase 20%, com 698.000 unidades vendidas na Europa em 1987. Para conseguir os seus objectivos, a Fiat precisa de se impor no mercado exterior, uma vez que em Itália o segmento dos carros médios representa apenas 19% das vendas contra quase 30% na Europa. Precisa também de ganhar terreno a concorrentes há muito estabelecidos. Em 1987, venderam-se na Europa 845.000 VW Golf, 635.000 Ford Escort, 615.000 Opel Kadett e… 62.000 Fiat Ritmo! Para vender as projectadas 300.000 unidades em 1988, o TIPO tem que entrar no mercado com a roda direita.
ENTRADA CONVINCENTE. Porque os obstáculos são numerosos e os investimentos muito elevados, o desenvolvimento do TIPO rodeou-se dos maiores cuidados, tanto no que se refere à concepção do modelo em si, como à sua produção e comercialização. No seu video-discurso de introdução, Vittorio Ghidella expôs claramente o problema: «A Fiat tinha que entrar neste segmento que representa 30% do mercado europeu de uma forma autoritária e convincente. Tínhamos que desenhar um carro para todos, para novas e velhos, para homens e mulheres – particularmente mulheres, que têm uma influência crescente na decisão de compra. Um carro que englobasse todas as camadas sociais em Itália e no estrangeiro. Um carro que fosse fundamentalmente confortável, espaçoso e rápido, mas fácil de conduzir, económico, de baixo custo e preço acessível, e também de grande qualidade». O novo modelo foi lançado com 5 motorizações diferentes: 3 a gasolina (1100, 1400 e 1600) e duas Diesel (1700 e 1900 TD). Combinadas com os dois níveis de acabamento, estas 5 motorizações dão origem a 8 versões diferentes. Ainda este ano será introduzida uma versão mais potente, com motor de 1800cc e 16 válvulas, para competir no mercado dos GTIs.
MUITO ESPAÇOSO. O contacto limitado que tivemos com o TIPO em Madrid permitiu-nos verificar que, pelo menos no que se refere ao espaço interior, a Fiat acertou em cheio, o modelo tem uma grande distância entre eixos e as rodas bastante afastadas, proporcionando um habitáculo invulgarmente franco para o seu tamanho, assim como uma mala de boa capacidade. Agradou-nos também a óptima posição de condução, confortável e moderna. A carroçaria revela um parentesco próximo com o popular Uno, mas com um toque mais desportivo. É um carro compacto e actual, com um óptimo coeficiente de penetração (0,31), atraente sem ser sensacional. A inovação reside mais no aproveitamento do espaço e na forma como é construído e produzido do que nas linhas da carroçaria. A Fiat dispensou especial atenção aos custos de produção e um dos grandes trunfos do TIPO face aos concorrentes vai ser precisamente o preço; O novo modelo vai custar 10 a 15% mais do que o Uno, conforme as versões. A caixa de 5 velocidades, inteiramente nova, mostrou-se suave e precisa nas 3 versões que conduzimos: 1100, 1400 e Turbo Diesel. Também nova a suspensão de 4 rodas independentes, que se revelou eficaz e segura. A direcção pareceu-nos bastante pesada em manobra no 1100, que não oferece, nem mesmo em opção, um mecanismo de assistência. Impressionou-nos particularmente o Turbo Diesel, muito silencioso e enérgico, que com 175 km/h de velocidade máxima é o mais rápido dos TIPO e que só o 1600 a gasolina consegue acompanhar em aceleração. A designação «Digit» identifica o nível mais luxuoso de acabamentos, que apresenta instrumentação de tipo electrónico. Em todas as versões, os principais controlos encontram-se reunidos em duas alavancas, colocadas de ambos os lados da coluna de direcção, evitando os tradicionais interruptores do tablier que obrigam o condutor a tirar as mãos do volante para actuar. O Fiat TIPO será apresentado ao público português em Maio, no Publisalão, estando a comercialização dos modelos a gasolina prevista para o Verão. |
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